SERVIDORES DE HOSPITAL SÃO PRESOS POR APLICAR DETERGENTE NA VEIA
20/01/2026
Três técnicos de enfermagem, de 22, 24 e 28 anos, foram presos suspeitos de praticar homicídios em série contra pacientes do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. Os crimes, conforme a Polícia Civil (PC), foram praticados em novembro e dezembro de 2025. Em nota divulgada à imprensa, o hospital informou que denunciou o caso.
Até o momento, a corporação identificou três vítimas: uma professora aposentada, de 75 anos, moradora de Taguatinga; um servidor público, de 63 anos, que residia no Riacho Fundo I; e um servidor público, de 33 anos, natural de Brazlândia.
Segundo a corporação, os suspeitos provocaram a morte dos pacientes por meio da aplicação indevida de detergente líquido e de um composto químico diretamente na veia. A substância, quando administrada de forma incorreta, pode causar parada cardíaca, matando sem deixar rastros. A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal. No último dia 16, a polícia voltou às ruas em nova ofensiva contra os investigados.
Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores. A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
TÉCNICO ERA LÍDER DO GRUPO
As apurações, que correm sob sigilo, apontam que o grupo agia de forma coordenada dentro da rotina hospitalar. De acordo com PC, um dos técnicos, de 24 anos, utilizou indevidamente o sistema eletrônico do hospital que estava aberto em nome de um médico para prescrever um medicamento incompatível com o quadro clínico das vítimas.
Em seguida, ele retirava o remédio na farmácia da unidade e o aplicava diretamente nos pacientes, sem qualquer autorização ou ciência da equipe médica responsável. Duas dessas aplicações ocorreram em 17 de novembro do ano passado, e a terceira ocorreu em 1º de dezembro. Além desse medicamento, o técnico aplicou desinfetante dez vezes na paciente de 75 anos, com uma seringa, apontaram as investigações.
Segundo a Polícia Civil, as aplicações foram feitas no mesmo dia, após a paciente ter várias paradas cardíacas. A substância não possui qualquer indicação para uso intravenoso e pode causar danos graves e imediatos. A fim disfarçar a autoria do crime, o técnico de enfermagem fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los.
Os investigadores tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança instaladas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que registraram a movimentação dos suspeitos no interior da unidade. As gravações mostraram a presença dos técnicos junto aos leitos das vítimas nos horários compatíveis com os procedimentos irregulares.
Inicialmente, os três ex-técnicos negaram qualquer participação nos crimes. No entanto, após serem confrontados com as imagens e outros elementos colhidos durante a investigação, acabaram confessando o envolvimento.
Segundo a Polícia Civil, o homem de 24 anos foi o responsável direto pela aplicação dos medicamentos, enquanto as duas mulheres, de 22 e 28 anos, teriam auxiliado em pelo menos dois dos episódios, dando suporte logístico ou facilitando o acesso aos pacientes.
Fonte Mais Goiás

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